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Compondo junto à Filosofia da Composição

Aqueles que se propõem a escrever poemas muito bem sabem que, não raro, no emaranhar-se dos estudos por formas (ou fórmulas!) em que nos metemos, frequentemente nos deparamos com propostas que desejamos aplicar em nossa própria arte. Queremos, sim, meios de dificultar o nosso fazer artístico ao mesmo tempo em que ganhamos razões para nos dizer que soubemos dialogar com o que ensinaram os mais antigos. A proposta que fiz a mim mesmo, há alguns dias, com o objetivo de ter o que de interessante compartilhar neste canal, foi, assim sendo, a de compor um poema seguindo as ideias de Edgar Allan Poe, explanadas em seu famoso ensaio "A Filosofia da Composição", publicado em 1846.

Nesse ensaio, que se encontra disponível na internet, Poe pretende ensinar ao leitor que "nenhum ponto de sua composição [O Corvo, sua mais famosa obra] se refere ao acaso, ou à intuição". Em vez disso, "o trabalho caminhou, passo a passo, até completar-se com a precisão e a sequência rígida de um problema matemático". Quando diz isso, Poe não se refere somente à forma que aplicou na composição d'O Corvo, mas também, e especialmente, à sequência lógica de raciocínio que o levou a incluir cada um dos elementos encontrados no poema e a executá-los da forma como executou.

É evidente que o resultado que logrei nem se compara ao que Poe fez, mas ainda assim serve, com um pouco de sorte, como pretexto para a exposição de sua Filosofia da Composição, e talvez agrade a um ou a outro leitor.

Como primeiro passo, antes de pensar em qualquer coisa mais, o autor de O Corvo alega haver definido qual seria a extensão de seu poema. Para chegar à resposta de o quanto seria esse número de versos, ele entende que um bom poema deve ser tão longo quanto precise para surtir satisfatório efeito no leitor, mas tão breve quanto necessite para não se tornar, segundo ele, "uma sucessão de alguns [poemas] curtos; isto é, de breves efeitos poéticos". Poe, assim, define que o número de versos que encerre ambos os objetivos esteja em torno da redonda quantidade de uma centena (O Corvo possui 108 versos). Eu, quando quis compor minha obra inspirando-me nas indicações de Poe, sabia que a extensão não poderia diferenciar-se grandemente, então também defini que haveria de fazer algo que girasse em torno do número cem (minha obra chega ao número 104).

Seguidamente, o poeta começa a pensar em qual deve ser o efeito pretendido pelo poema, e entende que o mais apropriado seja o sentimento de melancolia, uma vez que todas as sensações profundas só podem levar o homem às lágrimas, e esse é o efeito maior da melancolia. Não obstante, já aqui minha pretensão de seguir as ideias que deram à luz O Corvo se mostram falhas, pois Poe é taxativo sobre a sensação mais apropriada para um poema ser a melancolia. Minha pretensão, se era seguir suas ideias, também era fazer o possível para que minha composição fosse o máximo distinta da sua, uma vez que Poe destaca a importância da originalidade. Mesmo assim, incorrendo no risco de fazer uma mera cópia inferior d'O Corvo, optei por acompanhá-lo e assumir que minha história também teria de causar o efeito da melancolia. Da mesma forma, acompanhei Poe quando disse que o caminho mais interessante para causar esse efeito no leitor seria a Morte. A princípio, e isso é interessante dizer, cheguei a tentar outra temática para não copiá-lo, chegando à ideia da "angústia", que pode ser tema tão desolador como a morte. Mas não fui capaz de me sustentar quando percebi que o que mais universalmente provoca a angústia no ser humano é o sentimento da saudade, que mais intenso é quando está provocado, justamente, pela morte de um ente querido.

Poe é semelhante em dizer que o que de pior há na morte é a morte de um ente querido, como acontece n'O Corvo, mas logo consigo me distanciar um pouco dele. Isso porque, para o autor, a morte mais apropriada para um poema que busca ser belo deve ser a morte de um ser belo que provoca sensações belas; uma linda mulher. É aí que consigo me distanciar um pouco, porque, embora fosse tentado a também matar uma linda mulher em minha obra, encontrei uma segunda opção talvez tão intensa quanto: matar uma inocente criança. Uma menina, para ser mais exato, que não seria esposa do protagonista, mas, sim, uma filha. Ainda tentado a explorar o sentimento de vingança, ideia que posteriormente abandonei, fui nesse momento um pouco além de Poe e defini que essa menina teria de ter uma morte violenta pelas mãos de alguém vil. A partir daí foi fácil definir que o mais universalmente vil, mais universalmente revoltante dos homens é aquele que estupra e assassina uma inocente criança. A ideia assim se formou para que o poema girasse em torno do sentimento de vingança que um pai teria sobre o algoz, mas esbarrei em complicações que não soube contornar: como se vingar de alguém que se encontra provavelmente preso? Das várias respostas possíveis a essa questão, nenhuma me satisfez o bastante para o que eu queria com meu poema, então decidi que no lugar do sentimento de vingança haveria apenas o sentimento de desespero.

Sendo assim, até então, sabia que meu poema teria de ter em torno de cem versos, teria de provocar o sentimento de melancolia e teria de ser sobre a morte de uma menina e o desespero de um pai que a amava. Até então estava satisfeito com o passo a passo de Poe. Mas tive um problema com a próxima parte da Filosofia da Composição: a importância do refrão. Essa característica, tão marcante no poema de Poe quanto importante para o seu sucesso, não conseguiu agradar-me o bastante. Primeiro porque minha criatividade não alcançou refrão mais perfeito que o dele — "nevermore" —, e eu não desejava fazer o que tivesse como resultado uma cópia inferior de O Corvo. A sonoridade da terminação "-ore", que Poe tanto destaca, na língua inglesa, parecia mais profunda que qualquer terminação em que conseguisse pensar na língua portuguesa. Além disso, lembrando poemas de nosso idioma cuja leitura me trouxe grande contentamento, minha limitada experiência não me permitiu a recordação de nenhum tão excepcionalmente bom que se apoiasse no recurso do refrão. Até mesmo cheguei a considerar o advérbio "não" pela facilidade que teria em repeti-lo ao longo do poema e pela variedade de possibilidades de uso (características importantes a um bom refrão, segundo Poe), mas continuei incomodado com a ideia até que, a contra gosto, abandonei-a. Ainda assim, o exercício não se fez completamente infértil! Pois, se para Poe o corvo foi a figura a que chegou para repetir o refrão "nevermore", eu também havia chegado a uma que repetiria o refrão "não": seria um quadro da filha morta. Embora eu mesmo seja muito jovem para ter filhos, já conheço a dor de olhar para a fotografia de um avô falecido, o que me permitiu imaginar que a imagem de uma filha seria multiplamente mais dolorosa (tentei pensar em minha pequena irmã). A ideia do refrão foi abandonada, a ideia do quadro com a fotografia permaneceu.

Nesse ponto da Filosofia da Composição, Poe acata todas as ideias que já teve e escreve uma estrofe que seria colocada ao fim de sua obra, ainda que não fosse a última. Afirma que, com isso, é capaz de definir de uma vez qual será o tom de seu poema e qual será a estrutura que seguirá. Aos que quiserem ver a estrofe que Poe compôs, ela está apontada no ensaio, mas aqui trago a minha:


Minha filha pequena, amável Madalena,

nas mãos de algum estranho — os dentes de um dragão —,

em derradeiro horror sem seu pai defensor:

surdos "não, por favor!" vozeados em vão.

Uma odorante flor na boca de um cão!

Seu último pranto: "Não!"


A essa altura eu ainda não havia descartado a ideia do refrão. Além disso, estava me utilizando da estrutura do poema O Corvo (em número de versos, número de sílabas e esquema rímico), o que era outro ponto negativo uma vez que Poe destaca o quão interessante é para um poeta ser original na estrutura de suas próprias estrofes. Mesmo assim, como ainda não havia me decidido sobre descartar essa estrofe que acabara de escrever (e que, confesso-o, agradara-me), continuei seguindo a Filosofia da Composição.

O próximo passo que o autor indica é selecionar uma ambientação para a história do poema. Ele chega a um cômodo luxuoso, que se parece com uma sala, mas eu opto por um quarto onde o protagonista dormiria. Assim procedi porque, entendendo que a temática de meu poema seria a morte de uma filha, eu não poderia deixar de comentar a figura da mãe, embora o protagonismo estivesse na figura do pai (e optei pelo pai, creio, simplesmente por eu pertencer ao sexo masculino). Mas, como não queria que a mãe tivesse papel ativo na história, visto que a solidão do pai seria essencial, e como eu não desejava que a mãe estivesse simplesmente ausente do recinto, veio-me a ideia de fazer a história se passar em um quarto no qual o casal está deitado, mas em que, no momento, apenas a mulher dorme. Como ela não acordaria, no entanto, se ocorreria ali um diálogo intenso entre a imagem da filha e seu marido? Foi assim que cheguei à ideia de a mãe estar dormindo profundamente e não acordar apesar dos intentos de seu companheiro. Pensei que isso traria um efeito a mais à angústia do protagonista, e acredito que fui feliz. Por outro lado, algo em que não fui feliz sobre a ambientação foi não ter encontrado espaço para dar quaisquer detalhes do cenário, como fez Poe. Eu imaginei, sim, uma casa simples, e por isso estaria o banheiro tão próximo ao quarto ao ponto de se poder ouvir de um cômodo o que se passava no outro, porém não fui mais longe. Mas esse foi um problema que encontrei apenas após finalizar e revisar o poema, não restando mais espaço entre as cenas que pudesse incluir características do ambiente. De todo modo, como não tenho certeza de que foi essa a razão da inferioridade de meu escrito, não dispensei energias em reescrevê-lo.

Enfim, possuía minhas ideias todas em mãos: um pai que conversaria com a imagem de sua filha morta, uma esposa que jamais acordaria e um quarto pequeno, simples. Nada me faltava para dar início a meu poema:


Assisto a minha eleita, à cama ela se deita,

os olhos ela fecha em doce compleição.

Abraço-a, que em abraço eu sempre a faço

envolta como laço de meu coração.

"Desejas mais espaço a ti deste colchão?"

Ela me responde: "Não".


O sono nos resguarda — é sempre, nunca tarda —,

e logo ela me solta, e eu solto sua mão.

A noite assim avança: eu sonho aquela dança

guardada na lembrança — o casório, a paixão.

Trazia longa trança e longa cauda ao chão.

Havia problemas? Não.


Dançávamos no altar... Bastava-nos amar...

Alguém, porém, me disse em sussurrinhos: "Não".

Meus olhos se entreabriram: "Ouvidos, que ouviram?"

"Apenas há o silêncio aqui na escuridão..."

Isto dito, no entanto, de novo a expressão:

em voz sussurrando: "Não".


Desagradável, para o meu gosto. Minha intenção era iniciar a história introduzindo a situação em que o protagonista se encontraria e o valor que ele dava para sua família, mas o excesso de rimas internas que empreguei baseando-me na estrutura de O Corvo e o esforço para rimar tantas vezes com o refrão "não" me levou a um resultado que levaria a qualquer coisa, menos à angústia de um pai que perdeu sua criança — assim pensei. Mas haver errado nesse início de poema foi bom, porque me trouxe, afinal, a disposição para recomeçar toda a execução do zero, sem o infame refrão e sem copiar a estrutura de ninguém.

Como seria a estrutura de meu poema, então? Eu não tinha a vontade de criar um novo tipo de verso. Poe me estimulou a isso, deixando ele mesmo de criar. Mas eu tinha bastante vontade para criar um novo tipo de estrofe utilizando-me dos versos que conhecia, chegando ao seguinte: três versos heroicos, dois versos sáficos, um verso alexandrino e dois redondilhos maiores. Os quatro primeiros versos poderiam ter a disposição que fosse (sáfico-sáfico-heroico-heroico, heroico-sáfico-heroico-sáfico, sáfico-heroico-heroico-sáfico, etc.), mas o quinto verso haveria sempre de ser heroico, seguido de um alexandrino que estaria, por sua vez, antecedido de dois redondilhos maiores. O alexandrino antes dos dois redondilhos era bem colocado porque eu queria que cada redondilho rimasse com um de seus dois hemistíquios. Todo o esquema rímico se faria assim: ABABC(C)DCD, sendo "(C)" a rima interna no primeiro hemistíquio.

Tendo bem definida a estrutura e a ausência de refrão, refiz a primeira estrofe, que se localizaria entre as últimas do poema:


"Filha! Sei de teu corpo pequenino,

ele popula os pesadelos meus;

ele badala agudo como um sino,

por vinte e quatro vezes, por um Deus!

A tua voz, ela pediu ajuda,

pai sabe porque a escuta em gritos, com frequência!

Mas a morte, ela é tão bruta,

tão algoz é a impotência!"


Muito bem! Agora o que restava era definir como o poema se introduziria e progrediria. É natural que eu não tenha acertado de primeira, mas envergonho-me das péssimas ideias que tive no começo: como o poema de Poe se passa em um ambiente gelado, eu quis que o meu se passasse em um ambiente quente. Mas o que é o calor em um quarto, quando se tenta dormir? Ora, é agonia. Então quis levar ao máximo esse sentimento de agonia: o protagonista estaria febril em uma cama encharcada de suor seu e de sua esposa, esforçando-se para não urinar nos lençóis. Cheguei a construir os versos que narravam isso, mas tive o bom senso de desistir deles (e tive a sorte de apagá-los e não poder compartilhá-los aqui) logo que percebi que a "agonia" que eu alcançava não tinha nada do efeito poético que eu queria. Dessa ideia, nos seguintes rascunhos mantive apenas um modesto nariz escorrendo, mas após alguns dias também disso desisti e fiz com que o calor fosse o único elemento infeliz da situação, que seria agravado assim que o quarto entrasse em chamas.

Quanto à progressão do poema, não cheguei a nada de muito complexo: teríamos um quadro que queimaria e que aumentaria o calor do protagonista cada vez mais, cada vez mais, até chegar ao ápice, quando ele seria completamente consumido pelas chamas e o poema teria seu desfecho.


Finalmente, a todos que chegaram até aqui na leitura, apresento-lhes o resultado final de meu humilde, mas dedicado intento. Quanto a um título, não o batizei (ao modo como faço com a maioria de meus poemas), mas chamo-o carinhosamente de "Madalena", nome escolhido à filha devido à sonoridade agradável e à significação (feliz coincidência) lúgubre.

Era uma noite quente em nosso quarto

com longos roncos da mulher amada

e um calor insistente, velho e farto.

Lençóis molhados de suor e nada

no mundo me faria adormecer.

Três horas a sofrer em um forno infernal.

Próximo de derreter,

eu quis chamá-la, afinal.


"Mulher" — eu murmurava, mas estático —,

"dormes?" — e nada respondia ali.

"Dormes?!" — um ronco impessoal, apático,

foi tudo o que se pôde dela ouvir.

A esposa como rocha adormecia

enquanto eu padecia em um forno infernal.

Porque senão morreria,

quis levantar-me, afinal.


No banheiro, do quarto algum ruído

se pôde ouvir que não era o ressono;

ao retornar, constatei, aturdido

um susto que, por medo, não questiono.

De Madalena o quadro crepitando

sobre a cama e chamando assustadoramente:

"Ó meu pai, estou queimando,

dolorida, e impotente!"


Surpreendido diante da visão

daquela filha que meu peito habita,

daquela minha filha sob o chão

guardada há tantos anos, já sem vida,

pensei haver decerto enlouquecido.

"Mulher!..." — disse, encolhido. — "É nossa Madalena!

Ouve o que diz teu marido!

Visita-nos a pequena!"


Movimento nenhum se pôde ver...

Antes, o quadro estava engavetado

para não termos de na morte crer

da filha ausente de seu berço amado.

Agora o quadro estava sobre a cama,

resistindo na chama e chamando por mim.

Eu, temendo, de pijama,

da porta, escutava assim:


"Ó meu pai, como eu queimo sob a terra!

Como me doem as memórias últimas!

Meus braços prende, meus olhinhos cerra,

meu corpo toca em formas vis e múltiplas!...

Fui, como neste quadro, aprisionada,

tive a pele queimada a toques monstruosos!

Lembra-te da filha amada!

Dos momentos pavorosos!"


"Minha filha!" — gritei, e cresceu-se a brasa —

"Então me digas o que queres já!" —

Espalharam-se as chamas pela casa,

odor de inferno se espalhou por lá...

"Eu quero, ó fiel pai!, quero a lembrança!

Eu fui tua criança e não quero mudar!"

Minha desaventurança

foi minha filhinha amar.


Há pouco tempo, há pouco realmente,

havia eu começado a confiar

nas mãos de Deus sua vidinha quente,

que bem cuidada deveria estar.

Mas ela esgoelava lá do inferno,

queimando ao frio do inverno, implorando a memória...

Esquecer o amor paterno

era vitória ilusória.


Minha filha sofria — estava claro! —,

e eu não podia conviver com isso.

Porém, ante tamanho desamparo,

que pode um pai por um chorar mortiço?

Enfim, o que pediu-me foi lembrança,

pois lhe dava esperança existir recordada.

Ela me deixou de herança

o luto e a vida acabada.


"Meu pai, quando sorris, meu peito cortas,

pois imagino que fiquei sozinha.

Enquanto ris, sigo amarrada em cordas

que não se soltarão da pele minha.

Estou eternamente te observando,

gemendo e te aguardando lembrar-te de mim...

Não te vás me abandonando,

não me obliteres assim."


Envolviam-me as chamas a essa altura.

Cada um dos membros, e as artérias vivas,

tudo foi devorado com loucura

por labaredas de terror nocivas.

"Mulher! Acorda e nota Madalena!

Ver-nos veio a pequena, a terrível menina!"

Dormia a esposa, serena,

sem notar minha ruína...


"Filha! Sei de teu corpo pequenino,

ele popula os pesadelos meus;

ele badala agudo como um sino,

por vinte e quatro vezes, por um Deus!

A tua voz, ela pediu ajuda,

pai sabe porque a escuta em gritos, com frequência!

Mas a morte, ela é tão bruta,

tão algoz é a impotência!"


Madalena chorou, rogando amor:

que eu fosse simplesmente pai queria.

Tornava-se mais forte aquele odor

a cada vez que "meu papai!" dizia...

Caminhei a seu quadro plangedor

e apanhei-a nas mãos — um sorriso ela abriu...

... Mas meus feitos foram vãos,

pois o fogo me engoliu.


Referências

POE, Edgar Allan. A Filosofia da Composição. Disponível em: <https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/2544953/mod_resource/content/1/Poe.pdf>. Acesso em 20 mar. 2020.

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